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Até
a primeira metade do século XIX, a vinda de imigrantes para
trabalhar na lavoura era um fenômeno espontâneo. Entre 1850
e 1870, porém, a imigração passou a ser promovida pelos
latifundiários. Vindos primeiramente da Alemanha, sem sucesso,
e logo depois da Itália, centenas de famílias, na maioria
das vezes enganadas com contratos de trabalho quase escravo,
os imigrantes ocuparam a maior parte do trabalho rural na
economia cafeeira.
Os problemas com os empregadores, habituados com o trabalho
escravo, fizeram com que muitos imigrantes rertornascem
a seus países de origem. Intervieram então os consulados
e entidades que visavam orientar e proteger os imigrantes.
O Conde do Pinhal, foi o primeiro a trazer imigrantes
europeus à cidade. Os primeiros imigrantes chegaram a São
Carlos em 1876. Em 1886, quando se criou na cidade a Sociedade
Promotora da Imigração, os imigrantes já eram 1/8 da
população, a segunda taxa mais alta de imigrantes no Estado.
A
partir de 1887, o abolicionistas, que atuavam nas cidades
através de publicação de jornais e eventos que difundiam
suas idéias, passam a atuar nas fazendas, promovendo fugas
em massa e agindo de tal forma que os fazendeiros eram praticamente
obrigados a contratar os próprios ex-escravos num regime
assalariado. Não há notícias de fugas em São Carlos, embora
o movimento tenha atingido Rio Claro e outras cidades vizinhas.
Entre junho e julho de 1887, diversas cidades da província
de São Paulo libertam seus escravos; a alforria era normalmente
condicionada à prestação de serviços (em alguns casos, essa
prestação de serviços implicava na servidão a outros membros
da família do senhor). Em São Carlos, alguns fazendeiros
de comum acordo libertaram plenamente seus escravos em dezembro
de 1887. Em 13 de maio de 1888, 3.726 escravos na cidade
foram libertos pela Lei Áurea.
O
fim da escravidão se deu por caminhos diferentes dependendo
da situação econômica da província - no caso de São Paulo,
os escravos foram substituídos pelos imigrantes. Censo do
Clube da Lavoura de São Carlos mostra que em 1874 aproximadamente
80% dos trabalhadores rurais eram negros. Em 1899, ainda
segundo o Clube da Lavoura, havia 7% de trabalhadores negros,
e 93% brancos - destes, 66,27% eram italianos (10.396 colonos
italianos).
Deixando
as fazendas, os ex-escravos e seus descendentes se concentraram
em determinadas regiões: na Biquinha, fonte próxima
ao cemitério dos escravos da Fazenda do Pinhal, que ocupava
as imediações da atual Cúria Diocesana e do Teatro Municipal
- Vila Pureza - região da Santa Casa de Misericórdia
atual.
A região
que agora é próxima à Santa Casa era conhecida por Cinzeiro.
Lá se acendiam fogueiras e havia batuques à noite. Mais
tarde, os caminhos abertos pelos negros até esse local foram
urbanizados, criando as primeiras ligações da Vila Pureza
até a região da Estação Ferroviária.
No
final do século, a irmandade de São Benedito conseguiu
a posse das terras do primeiro cemitério da cidade, construindo
nele a Igreja de São Benedito, importante marco de
entrada da cidade, próximo à Estação Ferroviária.
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